segunda-feira, 26 de abril de 2021

Poesia de intervenção


No âmbito das atividades desenvolvidas em DAC (Domínios de Autonomia Curricular), e sob orientação das professoras Pilar Mendes e Fátima Anselmo, os alunos do 12º LH4 refletiram sobre a poesia enquanto voz de intervenção, manifestando um espírito atento e crítico, patente no trabalho aqui publicado.



Clica aqui para ver o trabalho




quarta-feira, 21 de abril de 2021

E após quase meio século de silêncios... as Vozes de Abril!



A gente do salto
Excerto do documentário "A gente do salto", de José Vieira. 
Retrato de um regime que, entre 1960 e 1970, 
lançou 1 400 000 portugueses para o exílio.

 


Acordai
Canção Heroica*


O maestro e compositor Fernando Lopes-Graça a dirigir o Coro da Academia dos Amadores de Música © Câmara Municipal de Cascais / Museu da Música Portuguesa /Fundo Fernando Lopes-Graça.
Letra: José Gomes Ferreira


Acordai

Acordai
Homens que dormis
A embalar a dor
dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raiz!

Acordai,
Raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações!

Acordai!
Acendei,
De almas e de sóis
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais

Acordai!
   

*As músicas das Canções Heróicas foram compostas por Fernando Lopes-Graça  e destinavam-se a encorajar a luta contra a opressão do regime fascista.
Para ler mais sobre estas canções e ouvir um excerto do famoso poema "Livre" do escritor Carlos Oliveira, clica aqui.



Trova do Vento que Passa
 Adriano Correia de Oliveira interpreta o poema de Manuel Alegre


O Canto do Desertor
Luís Cília, na tv francesa (1966)

 
Era um Redondo Vocábulo*
José Afonso, in "Venham mais cinco" (1973)

Animação 3D para o tema "Era um Redondo Vocábulo" de José Afonso.
Interpretação livre sobre a angústia de uma gestação ou maternidade em tempos de guerra no ultramar. Por Eurico Coelho.

* O poema "Era um redondo vocábulo" foi escrito por José Afonso na prisão de Caxias.

Podes descobrir as letras  das canções do cantor e muito mais no blogue e no site da Associação José Afonso.



Casa comigo Marta
José Mário Branco,
 in "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" (1971)

Letra: Sérgio Godinho



Os Demónios de Alcácer-Quibir


Sérgio Godinho, in "De pequenino se torce o destino" (1976)





 Se Tu Fores Ver o Mar (Rosalinda)
Fausto, in "Madrugada dos Trapeiros" (1977)
Para muitos, o 1.º grande manifesto ecológico da música portuguesa
Alusivo ao protesto da população de Ferrel – Peniche que, 
em 15 de março de 1976, marchou para se opor à instalação de uma central nuclear.





 "O Barco Vai de Saída", Fausto in "Por Este Rio Acima" (1982) 



E, mais recentemente, já em 2011, denunciando o descontentamento de uma geração de jovens e adultos com as condições sociais e a falta de emprego em Portugal, surge esta canção de protesto do grupo Deolinda.  

 Que parva que sou





CANTIGA DE ABRIL

Às Forças Armadas e ao povo de Portugal

«Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade»
J. de S.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos
reinaram neste pais,
e conta de tantos danos,
de tantos crimes e enganos,
chegava até à raiz.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Tantos morreram sem ver
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura,
e o poder feito galdério.
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Esses ricos sem vergonha,
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.
Qual a cor da liberdade?
É verde. verde e vermelha.
Essas guerras de além-mar
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar
sem sinal de se acabar
por politica demente.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Esse perder-se no mundo
o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo,
só miséria sem segundo,
só desespero fatal.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos
durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos
e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.
Qual a cor da liberdade?
E verde, verde e vermelha.
Saem tanques para a rua,
sai o povo logo atrás:
estala enfim altiva e nua,
com força que não recua,
a verdade mais veraz.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
                     26-28(?)/4/1974
                     Jorge de Sena, in "40 anos de servidão"

                                                           
Para mais informações sobre o 25 de Abril, podes consultar o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.





Animações do DVD "25 de Abril, 32 Anos, 32 Perguntas".